Documentário “Mulheres da Fronteira” é tema de aula no curso de Administração

Postado por: Ana Monteiro

No início desta semana, dia 27 de abril, o Auditório da ESAN recebeu alunos da turma do 3º semestre de Administração – período matutino e também alunos do Turismo para uma aula prática especial.

A atividade foi a exibição do documentário Mulheres da Fronteira (2025) e teve como destaque a participação presencial de uma das protagonistas da obra, Cristina Rocha, pioneira no turismo gastronômico em Miranda e dona da Pousada Pioneiro que compartilhou suas experiências e reflexões com os estudantes.

“Foi um momento muito especial de troca de conhecimento. Aproximar nossa realidade dos alunos da academia é algo bastante significativo”, disse a empresária.

Para o diretor da Unidade, professor Claudio Cesar da Silva, “o encontro reforça o compromisso da ESAN em promover atividades que ampliem a formação acadêmica, incentivando o pensamento crítico e a integração entre teoria e prática.”

Sob a responsabilidade da professora Christiane Pitaluga, a iniciativa proporcionou aos acadêmicos um momento de aprendizado diferenciado, unindo cinema, debate e vivência prática.

“A presença da protagonista enriqueceu a discussão, aproximando os alunos das realidades retratadas no filme e estimulando reflexões sobre temas sociais e de fronteira”, ressaltou a docente.

Estiveram presentes também alunos do 1º ano do curso de Turismo, acompanhados da professora Patricia Zaczuk Bassinello.

No final da roda de conversa com Cristina Rocha, a empresária fez sorteios de alguns de seus produtos.

O documentário 

O projeto nasce a partir de mais de duas décadas de pesquisa do diretor geral, chef e pesquisador Paulo Machado sobre a cozinha do Pantanal. Para ele, mulheres sempre estiveram no centro dessa cozinha, mesmo que raramente sob os holofotes.

“Dirigir Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal foi, antes de tudo, um mergulho profundo em histórias de vida que se encontram na cozinha. Convidei sete mulheres que admiro por seus trabalhos e pelas transformações que provocam ao seu redor, cada uma delas habitando lugares onde as fronteiras não se limitam ao mapa”, afirmou o chef Paulo Machado.

Uma travessia cinematográfica pelas cozinhas que moldam identidades, preservam memórias e alimentam territórios. ‘Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal’ é um documentário de 90 minutos que lança luz sobre as guardiãs da gastronomia pantaneira, mostrando que o sabor do Pantanal tem voz, rosto, raízes e história feminina.

A obra percorreu dois meses de gravações em Campo Grande, Miranda, Aquidauana e Corumbá, regiões que respiram o coração do Pantanal brasileiro.

Todo o processo, da mise-en-place à finalização, levou cerca de nove meses de produção. As entrevistas foram registradas em um cenário que une arte e sensibilidade: o múltiplo ateliê da artista visual Lúcia Martins Coelho, em Campo Grande.

As protagonistas deste filme são sete mulheres que traduzem em suas jornadas a potência da cozinha pantaneira e suas diversas fronteiras: geográficas, culturais, étnicas, artísticas e afetivas.

São elas: Dona Domingas Torales, cozinheira de tradição; Maria Adelaide de Paula Noronha, fundadora do Buffet Yotedy; Cristina da Rocha, pioneira no turismo gastronômico em Miranda e dona da Pousada Pioneiro; Lidia Aguilar Leite, turismóloga, chef e proprietária do Recanto Vale do Sol Turismo Rural em Corumbá; Taina Elias Lopes, chef do restaurante Comitiva do Helinho;  Kalymaracaya, primeira chef indígena do Brasil, da etnia Terena e Jadi Tamasiro, proprietária do emblemático Jadi Sobá da Feira Central de Campo Grande.

Cada uma, a seu modo, tempera a história com saberes ancestrais, criatividade cotidiana, resistência e muito afeto. Orgulho é a palavra escolhida por Lidia Aguilar Leite, que atua há 25 anos divulgando a gastronomia pantaneira com fogão a lenha e doces típicos em Corumbá.

“Foi muito gratificante participar do documentário, precisamos divulgar a nossa cultura fronteiriça, dar valor a ela e não deixar morrer nossas tradições, pois nós, Mulheres da Fronteira, fazemos parte da história”, pontuou.

Sentimento que também evidenciou Kalymaracaya Nogueira, que com 17 anos de história nesse segmento se viu representada no projeto. “O documentário me permitiu reviver as melhores lembranças da minha infância, na aldeia, junto com minha mãe, avó e tias, expressadas pelos sabores e aromas. Cada prato que citei vai além de simples comida, representa um ato de resistência e uma forma de manter viva nossa identidade, transmitindo os saberes para as próximas gerações.

A empreendedora revelou que foi uma chance significativa de mostrar a cultura e evidenciar a força e a resiliência das mulheres que trabalham com a gastronomia, o turismo e outros elementos na fronteira.

“Meu desejo é que o documentário sirva como reflexo para minhas “patrícias” (indígenas), assim como uma porta de entrada para que mais pessoas possam nos conhecer, respeitar e valorizar a nossa cultura”, finalizou.

Gabinete da ESAN com informações do release do documentário.

Fotos: Gabinete da Direção e professora Christiane Pitaluga.