Pesquisa pelo LinkedIn mostra caminhos para quem deseja atuar no mercado financeiro de MS

Postado por: Ana Monteiro

Estudo realizado no MBA em Mercado Financeiro da ESAN/UFMS, em 2026, analisou 86 anúncios de vagas presenciais e híbridas, publicados no LinkedIn, para o setor financeiro em Mato Grosso do Sul, e identificou 724 requisitos, o equivalente a uma média de 8,4 requisitos por vaga.

O levantamento foi desenvolvido como Trabalho Final do curso do MBA em Mercado Financeiro da ESAN/UFMS, voltado à formação de profissionais para áreas relacionadas ao mercado financeiro e de capitais.

E é de autoria de Saulo Aparecido de Souza e foi orientado pela professora Susana Cipriano Dias Raffaelli.

A proposta do estudo surgiu justamente da necessidade de compreender, a partir das oportunidades efetivamente disponíveis do Estado, quais competências são demandadas de quem pretende ingressar ou avançar nesse mercado.

“Minha trajetória no MBA em Mercado Financeiro foi decisiva para amadurecer minha visão sobre a área. Eu já tinha afinidade com finanças desde a graduação em Administração, mas o curso me permitiu ir além das bases, explorando temas como renda fixa, variável, derivativos, fundos de investimento, criptomoedas e ferramentas de análise de dados. As atividades práticas e os debates em sala me ajudaram a transformar decisões que antes eram empíricas em escolhas fundamentadas”, disse Saulo.

“Foi nesse contexto que surgiu o interesse pelo meu Trabalho Final de Curso. Nas disciplinas de ética e desenvolvimento profissional percebi que o mercado financeiro exige muito mais do que conhecimento técnico: é preciso combinar formação, experiência e competências específicas. Isso me levou a investigar quais requisitos são realmente demandados aqui em Mato Grosso do Sul”, ressaltou o estudante.

Professora Susana explicou que a pesquisa ajudou a orientar os estudantes interessados em atuar no mercado financeiro e evidenciou que “fizemos uma boa leitura do mercado, pois nosso curso de MBA em Mercado Financeiro da ESAN/UFMS, foi estruturado para desenvolver competências que foram mencionadas no estudo.”

A docente complementou: “o curso reúne conteúdos de formação básica, tecnologia e formação específica, incluindo Comunicação, ética, Sistema Financeiro Nacional; Matemática Financeira com HP12C e Excel; Economia Empresarial e Estratégica; Python para Finanças; Análise e Visualização de Dados Financeiros com Power BI; Análise das Demonstrações; Renda Fixa, Renda Variável e Derivativos; Moedas Digitais e Criptomoedas; Fundos de Investimento; Gestão de Tributos; e Previdência Complementar.”

Dessa forma, “o estudo sobre as competências exigidas pelo mercado financeiro em Mato Grosso do Sul dialogam diretamente com a proposta de formação do MBA: compreender o mercado, desenvolver conhecimentos técnicos e tecnológicos e preparar profissionais para diferentes possibilidades de atuação no setor financeiro”, afirmou professora Susana Raffaelli.

Para o diretor da ESAN, professor Claudio Cesar da Silva, “ver que as competências identificadas no levantamento dialogam diretamente com a proposta do curso é motivo de orgulho para nós. Isso confirma que estamos formando profissionais alinhados às necessidades reais do mercado, capazes de transformar conhecimento em prática e contribuir para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul e do Brasil.

“Parabenizamos o egresso Saulo pelo empenho e pela qualidade de sua pesquisa, e agradecemos à professora Susana pela orientação dedicada. Esse trabalho é um exemplo concreto da missão da ESAN: formar profissionais preparados para os desafios contemporâneos e comprometidos com a excelência.”

O que o mercado financeiro procura?

Os pesquisadores esclareceram que a análise dos anúncios identificou sete grandes grupos de requisitos: experiência e perfil profissional; habilidades interpessoais; formação acadêmica; conhecimentos do setor financeiro; competências técnicas e digitais; atributos comportamentais; e requisitos de mobilidade e localização.

Entre eles, a experiência e o perfil profissional aparecem com maior frequência, com 176 ocorrências. A experiência profissional, isoladamente, foi identificada 154 vezes nos anúncios analisados.

Dos exemplos encontrados, podemos nomear, vivência em instituições financeiras, atendimento a clientes, negociação, gestão de carteiras e experiência com segmentos como agronegócio e cooperativas de crédito.

O resultado chama a atenção para um aspecto importante da construção da carreira: a entrada no mercado financeiro pode ser construída progressivamente, a partir da aquisição de experiências relacionadas às atividades do setor.

“As habilidades interpessoais aparecem em segundo lugar, com 107 ocorrências. Comunicação, relacionamento, trabalho em equipe, negociação e networking estão entre os requisitos identificados. Em algumas vagas, os anúncios também mencionam a existência de carteira de clientes ou rede de contatos como requisito para a função”, explicam os pesquisadores.

A formação acadêmica também ocupa espaço relevante. Foram identificadas 102 ocorrências nessa categoria, com predominância da exigência de ensino superior. Administração, Economia e Ciências Contábeis estão entre as formações mais solicitadas.

Certificações ajudam a construir a trajetória

Outro elemento que os pesquisadores destacaram são as certificações profissionais.

Dentro da categoria “Conhecimentos do setor financeiro”, que apresentou 101 ocorrências, as certificações apareceram 58 vezes nos anúncios analisados. Entre as certificações relacionadas ao mercado financeiro estão:

  • ANBIMA: CPA, C-Pro R, C-Pro I, CFG, CGA e CGE;
  • ANCORD: certificação para assessores de investimento;
  • APIMEC: CNPI, CNPI-T e CNPI-P;
  • Planejar: CFP®.

O estudo identificou, especialmente, a demanda por certificações relacionadas à ANBIMA. A pesquisa ressalta, entretanto, que as certificações não são obrigatórias para todas as ocupações do mercado financeiro, mas aparecem como um diferencial de qualificação em diferentes oportunidades profissionais.

A análise revelou que para algumas atividades específicas, há também exigências regulatórias próprias. Assim, para quem está planejando a carreira, a certificação pode ser compreendida como parte de uma estratégia de qualificação, que deve ser escolhida de acordo com a área de atuação pretendida.

Finanças e tecnologia caminham juntas

O levantamento também mostra que conhecer finanças não é suficiente para atender a todas as demandas encontradas nas vagas.

“As competências técnicas e digitais somaram 96 ocorrências, incluindo habilidades técnicas específicas, uso de tecnologia e ferramentas e capacidade analítica.

O resultado aponta para um perfil profissional cada vez mais híbrido, que combina conhecimentos financeiros com recursos tecnológicos e analíticos,” consta no TCC.

Nesse cenário, conhecimentos em dados, ferramentas digitais, programação e inteligência artificial passam a complementar a formação financeira.

Ao mesmo tempo, o estudo destacou que competências como julgamento crítico e capacidade de resolver problemas complexos permanecem relevantes em um contexto de avanço da inteligência artificial.

O caminho profissional muda conforme o cargo

A pesquisa também identificou diferenças importantes entre os grupos de cargos analisados.

Foram consideradas cinco categorias: Operacional/Assistente; Comercial/Especialista; Gerente de Negócios/Relacionamento; Alta Renda/Corporate; e Gestão.

A quantidade média de requisitos cresce conforme aumenta a complexidade das funções. Nos cargos operacionais ou de assistência, foram identificados, em média, 6,3 requisitos por vaga. Nos cargos de gestão, a média chegou a 12,4 requisitos.

“Os resultados sugerem que a construção da carreira pode ocorrer por meio do acúmulo progressivo de experiências e competências, à medida que o profissional passa a ocupar funções de maior complexidade. O próprio estudo ressalta a possibilidade de uma trajetória entre diferentes níveis de atuação no setor”, afirmaram Saulo e professora Susana.

Mais do que buscar uma única qualificação, o desafio é compreender qual carreira dentro do mercado financeiro se pretende construir e, a partir disso, identificar quais conhecimentos e experiências são necessários para avançar.

“Esse planejamento é especialmente importante porque o mercado financeiro reúne diferentes possibilidades de atuação, como análise financeira, análise de riscos, fundos de investimento, mercado de capitais, operações, relacionamento com clientes e gestão”, reforçaram os pesquisadores.

E para quem está em Campo Grande?

A pesquisa analisou 56 vagas na capital e 30 vagas distribuídas por 19 municípios do interior do Estado.

Embora as vagas do interior apresentassem, em média, um número ligeiramente maior de requisitos por oportunidade — 9,0 contra 8,3 na capital —, a principal diferença encontrada foi a maior frequência de requisitos relacionados à experiência e perfil profissional nas vagas da capital.

O dado ajuda a revelar algumas características do mercado financeiro local, mas os autores destacam que a análise deve considerar a própria distribuição dos cargos e a exigência de mobilidade presente em parte das vagas.

Importante: por utilizar anúncios publicados em uma única plataforma e em uma data específica, a pesquisa oferece um retrato exploratório do mercado de trabalho analisado, e não uma representação exaustiva de todas as oportunidades existentes no Estado.

Gabinete da ESAN com informações dos pesquisadores.

Imagens: Internet